segunda-feira, 25 de julho de 2011

Quando o sol se põe

Noite de sexta-feira no Rio de Janeiro. Após uma intensa semana de trabalho, Ana descansa em seu apartamento em Copacabana ao som do último disco que acabou de comprar.

Sim, numa época em que quase mais ninguém compra discos, ela comprou este quando o ouviu quase que por acaso numa Livraria. Entrara alí para tomar um café com uma amiga e um funcionário colocou o disco para tocar.

As músicas chamaram sua atenção na época e agora, poucas semanas depois, virou seu "compromisso pessoal" com o qual ela mais uma vez justificou sua ausência em mais um happy-hour com os colegas de trabalho.

Decidira então ficar sozinha em casa apreciando este disco que traz um misto de músicas alegres e tristes, cuja unidade gira em torno da perda de um grande amor. Como, aliás, acontece com todo mundo, não é mesmo? - diz a si mesmo tentando se consolar de algo não muito preciso.

Sim, talvez tenha sido esta a razão pela qual decidira não sair de casa naquela noite de sexta: encontrar a razão da sua tristeza íntima que ultimamente se fazia mais forte. Tristeza, diga-se de passagem, que não combinava com uma vida exterior de realizações profissionais, boas relações e conquistas materiais como aquele amplo apartamento na zona sul. E tudo isso, antes dos trinta anos!

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